Antes de ser a Funsales que existe hoje, essa história começou muito longe de qualquer coisa parecida com tecnologia ou ferramentas SaaS. Começou numa sala de estúdio de fotografia, em Marília, com três jovens adultos tentando descobrir o que fazer da vida depois da faculdade.
Em um Funtalks recente – encontro interno que a equipe da Funsales faz para compartilhar histórias e aprendizados -, Thamires Cruz, cofundadora e CEO da empresa, reconstruiu essa trajetória para o time, do início ao fim. “Quando surgiu a proposta de fazer esse Funtalks, eu lembrei dessa apresentação aqui, que eu fiz há dois anos atrás”, contou Thamires, explicando que dessa vez quis trazer não só sua própria perspectiva, mas a jornada compartilhada entre os quatro cofundadores.

Da fotografia de casamento ao primeiro cliente por acaso
A primeira empresa dos fundadores nem tinha relação nenhuma com e-commerce. Em 2014, Thamires, Wagner e Isabella criaram a TW Foto Design, um estúdio de fotografia de casamento.
Na época, vendiam álbum de foto sem sequer ter um álbum físico para mostrar ao cliente como referência e a Thamires lembrou que eles improvisavam a explicação de como seria em uma folha de sulfite: “Imagina esse tamanho aqui de foto, é isso que vai ser o álbum.”

Mesmo com essa limitação, chegaram a ganhar um prêmio internacional, o Best Associations Awards, e foram destaque no jornal local de Marília com o registro de um casal que, segundo Thamires, foi “provavelmente unanimemente o melhor casal e o melhor casamento” que fizeram. Mas o segmento era mal remunerado, e a conta não fechava: “A gente não tava conseguindo sobreviver”, resumiu.
A virada aconteceu de um jeito improvável. Em dezembro de 2015, com Thamires e Wagner desempregados, surgiu a Atlas Marketing Digital, a agência que os levaria, alguns anos depois, ao e-commerce.
A origem do primeiro cliente virou até piada interna com o tempo, relembrando que o Wagner saiu para o que parecia ser uma entrevista de emprego e voltou dizendo apenas: “Temos um cliente.” Não tinha nome de empresa, nem planejamento, na verdade nem tinha a empresa em si – só a força de vontade de fazer dar certo e um quartinho da casa onde os três moravam juntos na época.

Apesar de tudo, a Atlas deu muito certo e tem algo que explica o motivo. Antes de fundar a agência, Thamires e Wagner haviam passado por uma experiência de trabalho dentro de um grande e-commerce, que faturava cerca de R$16 milhões por mês e tinha 300 colaboradores. Foi ali que absorveram o conhecimento necessário para depois montar a própria agência de mídia digital.
A Atlas cresceu rápido e, em pouco tempo, o time saiu de três mesas num quartinho para uma casa alugada maior, chegando a 25 colaboradores.

O encontro que originou a Funsales
Com a Atlas focada em performance digital para lojas físicas e virtuais, os fundadores se aproximaram da Bruna, sócia da Agência Admake, que foi a primeira agência do Brasil a trabalhar com implantação completa de e-commerce, do design ao desenvolvimento. Perceberam que os serviços das duas agências se complementavam, e em 2018, as duas agências se fundiram em uma só, mantendo o nome Admake.

Foi dentro da Admake, em 2019, que nasceu o produto que até hoje é o carro-chefe da Funsales. Um cliente estava migrando de plataforma e trouxe uma dor específica: “Estou saindo da minha plataforma atual e indo para a Nuvemshop, só que lá não tenho brinde no carrinho. Vocês desenvolvem isso para mim?”
A equipe topou e, depois de analisar o mercado e entender a melhor forma de desenvolver esse tipo de ferramenta na plataforma, nasceu o Brinde no Carrinho, já em formato SaaS e disponível não só para o cliente que estava migrando, mas também para toda a base de lojas da Nuvemshop.
Inclusive, essa decisão de transformar aquele desenvolvimento pontual em produto veio de uma percepção prática sobre o próprio negócio da agência: cada novo cliente exigia contratar mais gente, o que tornava a operação pouco rentável. “Vamos vender o aplicativo para mais pessoas, porque daí as pessoas vão pagar menos, vai levar menos tempo e a gente vai conseguir ganhar em escala”, foi o raciocínio que guiou a virada.
Ainda antes de criarem a Funsales em si, os sócios colocaram alguns aplicativos no ar e, ao validarem que havia mercado real para esse modelo, os fundadores deixaram a sociedade da Admake e decidiram focar 100% no que se tornaria a Funsales. O desenvolvimento da plataforma começou em outubro de 2019 e a startup Funsales finalmente nasceu em 2020, junto com o lançamento oficial do Brinde no Carrinho.

Seis anos sem nenhuma rodada de investimento
Um dos detalhes mais marcantes dessa jornada é o que a Funsales nunca teve: aporte externo.
“A gente começou com R$2.700 em caixa. Tudo que a gente tinha era um sonho e a vontade de fazer o negócio acontecer”, contou Thamires. Ao longo do caminho, os fundadores enfrentaram dificuldades financeiras reais, até reverterem esse cenário e alcançarem R$1 milhão de faturamento anual.
Um marco importante nesse período foi a participação da Funsales no Programa de Aceleração da Inovativa Brasil, em 2022, voltado para startups. Foi ali que os fundadores conheceram Anderson Deal, presente como voluntário no dia da apresentação final do pitch.

Anderson ficou curioso sobre a startup, se aproximou, começou a fazer perguntas e, com o tempo, virou uma figura importante na trajetória da empresa, hoje fazendo parte do conselho da Funsales. Segundo Thamires, ele ajudou em momentos decisivos, como a primeira grande mudança de precificação da empresa, por exemplo.
Essa mudança de precificação, aliás, é um marco importante na história da Funsales. No começo, o lojista contratava e pagava por cada aplicativo separadamente. Com o tempo, o modelo evoluiu para uma assinatura única de plataforma, dando acesso a múltiplos aplicativos ao mesmo tempo. A mudança ajudou a reduzir cancelamentos e migração entre produtos, além de refletir melhor a forma como o lojista realmente usa as ferramentas ao longo do tempo, melhorando ainda mais os resultados que a Funsales leva para esses lojistas.
Hoje, a Funsales opera em cinco países — Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México — e já reuniu mais de 2.000 assinaturas ativas ao longo de sua trajetória.
Provar, com dado real, que o negócio funciona
Um momento simbólico na história da empresa foi o lançamento do próprio Painel de Resultados, a ferramenta que hoje mostra, para qualquer lojista, o impacto real dos apps na loja.
Antes disso, segundo Thamires, a Funsales sabia que gerava resultado, mas não tinha como comprovar isso de forma concreta. “A gente não tá falando que dá resultado só para te enganar. A gente tá falando que dá resultado porque realmente dá resultado”, resumiu.

Em um dos recortes históricos apresentados por Thamires, a empresa já havia registrado a marca de mais de 1 bilhão de reais transacionados por clientes Funsales, com mais de 170 milhões de reais nesse total diretamente impactados pelo uso dos apps.
O que sustenta a Funsales até hoje
Ao encerrar a apresentação para o time, Thamires resumiu, com uma frase que guia sua forma de contar essa história: “Quem lê um texto sem contexto, pra ele vira pretexto.”
Para ela, o caminho percorrido pelos quatro fundadores (das experiências ruins de trabalho aos aprendizados acumulados ao longo de mais de uma década no mercado) durante toda essa jornada explica muito a cultura atual da Funsales.
Essa cultura aparece em decisões concretas. Ao longo da história da empresa, contratos com clientes que tratavam mal a equipe foram encerrados, mesmo representando perda de receita – porque, para os fundadores, nenhuma relação comercial vale mais do que o bem-estar de quem trabalha ali.

Seis anos depois do lançamento do primeiro Brinde no Carrinho, e com produtos evoluindo continuamente – como o Kit de Produtos 2.0, que será lançado ainda em agosto – a história segue reforçando algo que parece simples de dizer, mas que levou uma década para se tornar verdade: nada que parece simples nasceu simples.

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